23 de julho de 2011

Erliquiose Trombocítica Canina (por Anaplasma platys)

Oi !
Tudo bem ?
Dessa vez não indiquei o tema antes...então vou colocar de surpresa mesmo !
Já coloquei um resumo de um dos temas da minha monografia, sendo Erliquiose Monocítica Canina o primeiro. Agora vou colocar o segundo tema contido nela, também resumidamente...sendo este, Erliquiose Trombocítica Canina.
Repito que, caso você queira citar algo que tenha lido neste POST, deverá referenciar com:

CERIBELI, J.B. Hemoparasitoses em cães e gatos. 2010. 48 f. Trabalho de conclusão de curso (graduação em Medicina Veterinária) – FESURV – Universidade de Rio Verde, Rio Verde, 2010.

Todos os autores que utilizei para fazer esta parte da monografia, estarão no final nas referências, como sempre disponibilizo !
Qualquer dúvida, o e-mail para contato encontra-se na primeira caixa ao lado ---->>
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Anaplasma platys em plaqueta de cão.


ERLIQUIOSE TROMBOCÍTICA CANINA


Doença causada pelo Anaplasma platys, podendo ter variações em intensidade de manifestação de leve a severa. Inicialmente promoverá alto grau de parasitemia em plaquetas, tendo como característica, trombocitopenia cíclica. Em pouco tempo de infecção, a quantidade de plaquetas diminuirá em grande escala e o A. platys dificilmente será encontrado quando realizada a pesquisa em lâmina, porém, caso realizado novamente o hemograma num curto espaço de tempo (após 4 dias), a quantidade de plaquetas poderá ter alcançado valores normais.


Agente Etiológico


Anaplasma platys (bactéria gram negativa), antiga Erlichia platys, se encontra infectando exclusivamente plaquetas de cães, porém também com a capacidade de infectar leucócitos. Pode ser visualizado como inclusões no interior de plaquetas em esfregaços. Como vetor conhecido, tem-se o Rhipicephalus sanguineus.
O A. platys pode manifestar-se isoladamente, em pares ou ainda em grupos, dentro de vacúolos. Formam mórulas medindo de 350 à 1250 nm de diâmetro, onde cada plaqueta pode apresentar de um a três vacúolos com um a oito microorganismos em cada.


Aspectos Epidemiológicos


Estudos sobre a epidemiologia desta enfermidade ainda encontram-se escassos, porém, acredita-se que sua distribuição geográfica compreenda todo o território Brasileiro, mesmo que em baixa escala.


Patogenia


O A. platys provoca trombocitopenia acentuada, tornando-se branda à fase aguda ou até mesmo normalizando valores após três a quatro dias. Deve-se tomar cuidado especial, pois situações que possam promover estresse ao animal como cirurgias, doenças concomitantes, nutrição incorreta e prenhez podem levar a doença sub clínica tornar-se clínica.
A patogenia caracteriza-se de acordo com as fases que manifesta, sendo que na fase aguda, apresenta parasitemia cíclica em associação com linfadenopatia e trombocitopenia generalizadas. Apesar da trombocitopenia, raramente os cães apresentam hemorragias. Pode-se ainda observar hiperplasia megacariocítica e ainda hiperproliferação nas outras linhagens celulares. Há diminuição na capacidade de fixação do ferro.


Sinais Clínicos


Apesar de não patognomônicos, sinais digestivos, anorexia e distúrbios hemostáticos podem aparecer com graus de intensidade diferentes, após um período de incubação de oito a quinze dias, em média. Pode-se ainda observar discreta hipertermia durante a fase de parasitemia inicial e um pouco de sangue nas fezes em animais trombocitopênicos. Também se pode encontrar discreta anemia normocítica normocrômica arregenerativa e leucopenia.


Diagnóstico



O diagnóstico da ETC não é o que se atribui como simples, pois apesar do método de pesquisa em esfregaço sanguíneo ser muito utilizado, não é completamente eficaz, pois há diminuição na plaquetometria, o que dificulta visualização do microorganismo. Em infecções por E. canis há também a presença de inclusões em plaquetas e ocorrência de granulações por ativação plaquetária, desse modo, pode-se ocorrer falhas na detecção e diferenciação. Para auxiliar o diagnóstico, há também detecção de anticorpos por imunofluorescência indireta, ou ainda, o método de PCR. Na identificação de infecção via PCR, deve-se utilizar primers da sequência do gene RNA Ribossomal 16S.
O teste de imunofluorescência demonstra resultados satisfatórios, pois a A. platys não está entre microorganismos que produzem reações cruzadas tão facilmente. Por outro lado, os anticorpos apenas são detectados durante curto período de tempo após o aparecimento de plaquetas parasitadas.
Ao avaliar-se a bioquímica, têm-se como evidências hipoalbuminemia, elevação da FA, ALT, LDH, Acredita-se que o  melhor teste a ser feito para confirmação de diagnóstico, é o PCR, porém, a presença de anticorpos contra A. platys não implica em infecção clínica, apenas induz ao fato do paciente ter sido exposto ao agente.



Tratamento


Antibióticos da classe das tetraciclinas têm sido eleitos como tratamento mais eficaz. Por apresentarem excelente absorção, doxiciclina e monociclina são as drogas mais utilizadas atualmente. Além da antibioticoterapia, devem-se realizar quando necessários tratamentos suporte.


Prognóstico



Por anteriormente ser classificada como Ricketsia, associam-se os prognósticos pelos sinais clínicos e evolução das enfermidades serem similiares (Ehrlichia canisEhrlichia platys), onde o prognóstico depende do estágio em que a doença se encontra e ainda de quando o tratamento foi ou será instituído, variando entre excelente, moderado e reservado.


Profilaxia


Realizar periodicamente o combate para evitar infestação por Rhipicephalus sanguineus nos ambientes principalmente onde estejam os animais domésticos. Pode-se ainda utilizar doses de manutenção mais baixas nos animais com tetraciclinas nos períodos de maior infestação do ano.

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REFERÊNCIAS


ACCETTA, E.M.T. Ehrlichia canis e Anaplasma platys em cães (Canis familiaris, Linnaeus, 1758) trombocitopênicos da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. 2008. 64 p. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária). Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2008.

AZEVEDO, Raphael Rodrigues Miguel de. Anaplasmose granulocítica e trombocitopenia cíclica canina. 2007. 33f. Trabalho Monográfico de Conclusão de Curso (Pós-Graduação Lato-sensu em Patologia Clínica Veterinária) – Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro, 2007.

DAGNONE, A. S.; MORAIS, H., S., A.; VIDOTTO, O. Erliquiose nos animais e no homem. Semina: Ci. Agrárias, Londrina, v.22, n.2, p.191-201,
jul./dez.2001.

ESTEVES, Vanessa Sinnotti. Erliquiose e infecções relacionadas em cães. 2007. 39f. Monografia(Especialização em Análises Clínicas Veterinárias) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

FERREIRA, Renata F. et AL. Avaliação de ocorrência de reação cruzada em cães PCR-Positivos para Anaplasma platys testados em ELISA comercial para detecção de anticorpos de Anaplasma phagocytophilum. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária. Vol 17. N. supl 1. Setembro, 2008. Disponível em: http://www.cbpv.com.br/rbpv/documentos/17supl.12008/Artropode001.pdf.

GALVÃO, Renato C. et AL. Comparação entre tratamentos contra erliquiose canina em animais com os sintomas da afecção. 2009. 3f. Disponível em: http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R0943-2.pdf.

RISTOW, Luiz Eduardo; TAVARES, C.A.P.; PEREZA JR. A.V. Estudo da prevavência de hematozoários em pequenos animais diagnosticados por pesquisa direta realizada no laboratório TECSA, de outubro de 2005 à setembro de 2007. Disponível em:http://www.tecsa.com.br/media/File/pdfs/POSTER%20HEMATOZOARIOS.pdf.

SOUSA, Valéria Régia Franco. Avaliação clínica, morfológica, hematológica, bioquímica e biomolecular de cães naturalmente infectados por Ehrlichia canis e Anaplasma platys. 1976. 58f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2006.

STORTI, Gustavo Roberto. Erliquiose canina. 2006. 33f. Trabalho Monográfio de Conclusão de Curso (Especialização em Clínica Médica de Pequenos Animais) – Universidade Castelo Branco, Ribeirão Preto, 2006.

VELHO, Pedro Bittencourt. Trombocitopenia cíclica e Anaplasma platys: Aspectos epidemiológicos e clínicos. 2007. 34f. Trabalho Monográfio de Conclusão de Curso (Pós-Graduação lato-sensu em patologia clínica veterinária) – Universidade Castelo Branco, 2007.

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CERIBELI, J.B. Hemoparasitoses em cães e gatos. 2010. 48 f. Trabalho de conclusão de curso (graduação em Medicina Veterinária) – FESURV – Universidade de Rio Verde, Rio Verde, 2010.

2 comentários:

  1. Olá,
    hoje descobri que minha cachorrinha, uma Beagle-Cacau, está com o Anaplasma platys! Já iniciamos tratamento com Doxiciclina! Ela está melhor!
    Gostei muito dos esclarecimentos sobre esta patologia!
    Gabrielle

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  2. Minha juju,mistura de pastor com rotwailer,ha cerca de 20 dias,começou a inchar,e então dei vermifugo,e a doença se apresentou,nãoqueria comer,nada,não conseguia andar,chamei a veterinaria que falou que ela tava com a doença do carrapato!!!ficou internada 3 dias e teve que fazer transfusão de sangue duas vezes,deu trombocitopenia,anemia,agora esta em casa tomando doxiciclina de 12/12 meticortem 12/12,ela fez tudo que é tipo de exame,e não deu nada,aí falaram da babiose,pode ser que sim ou que não,vai saber!!!tomando vitamina,troquei a ração,fiquei muito triste,pois vi minha juju de 1 ano e meio,com a mesma coisa(semelhante) que tenho!!! ela esta melhorando,ta andando devagarinho,obrigado pela aula!!! abraços

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