11 de outubro de 2011

Leptospirose em animais domésticos

Fonte: bbel.uol.com.br

Com elevado potencial zoonótico, a Leptospirose aparece gerando grandes danos tanto à economia, quanto à saúde pública. A melhor maneira de se combater esta enfermidade, é através da profilaxia adequada, associada também ao tratamento dos animais e seres humanos que já foram acometidos.
A Leptospira (bactéria gram -, aeróbia) possui diversos sorovares, sendo estes específicos para uma ou mais espécies animais, o que torna um pouco mais complexo o trabalho de vacinação, pois esta deverá ser baseada nos sorovares predominantes por espécie e região onde se encontra o animal a ser vacinado.

A predominância de sorovares mais comuns ocorre da seguinte maneira:

Sorovar icterohemorrhagiae : Caprinos, Bubalinos, Equinos e Cães.
Sorovar pomona : Bubalinos, Equinos e Suínos.
Sorovar canicola: Caprinos e Cães.
Sorovar javanica : Ovinos.
Sorovar autumnalis : Ovinos e Caprinos.
Sorovar pyrogenes : Cães.
Sorovar wolffi : Bubalinos.
Sorovares panama e celedoni : Caprinos.
Sorovar hardjo : Bovinos.


Sabe-se que há por parte da bactéria, grande sensibilidade frente á luz solar direta, desinfetantes comuns e anti sépticos. A multiplicação se dá em pH de 7,2 a 7,4, e podem sobreviver em água viável por até 180 dias.
Como reservatórios tem-se tanto animais silvestres quanto animais domésticos.
É uma enfermidade rara em felinos.
Leptospira icterohaemorrhagiae.
Fonte: Sciencephoto


Epidemiologia e Transmissão


A transmissão pode ocorrer de forma direta { por contato com sangue ou urina de doentes; via venérea; via placentária; feridas por mordeduras ou ingestão de tecidos infectados } ou de forma indireta { exposição prolongada a água, ao solo ou ingestão de alimentos contaminados }.
O risco aumenta em regiões tropicais nas épocas do ano onde ocorrem enchentes, ou ainda quando houver locais com presença de coleções de água sem movimentação.
As principais fontes de infecção são Rattus novergicus, Rattus rattus e Mus musculus.
Rattus novergicus.
Fonte: bioinformatica.upf.edu


Patogenia e Sinais Clínicos


A bactéria penetra pelas mucosas, por feridas ou através da pele intacta, e tem rapidamente acesso à corrente sanguínea (4 a 7 dias); posteriormente espalhando-se por todo o corpo do animal infectado (2 a 4 dias). Este período de rápida multiplicação do agente, denomina-se leptospiremia. Os órgãos de tropismo são fígado, rins, baço, sistema nervoso central e olhos. Haverá presença da bactéria também na linfa e no líquor.
A doença poderá apresentar-se de forma subclínica ou clínica, podendo assumir caráter agudo ou crônico.
Durante a leptospiremia, o fígado será um dos primeiros locais a serem atingidos, ocorrendo necrose de hepatócitos, colestase intra hepática com diminuição da excreção da bilirrubina. Quando começar a produção de anticorpos, as leptospiras estarão concentradas nos túbulos renais, podendo gerar pequenos infiltrados inflamatórios focais e extensas lesões {necrose celular, cicatrização e presença de leptospiras na superfície luminal das células tubulares}.

Sinais clínicos mais comuns na infecção aguda: Letargia, depressão, anorexia, vômito, febre, poliúria, dor abdominal, diarréia, icterícia, petéquias, mialgia; pode haver também presença de fezes com coloração acinzentada.

Sinais clínicos mais comuns na infecção crônica: Poliúria, polidipsia, perda de peso, ascite, sinais de encefalopatia por insuficiência hepática, oligúria.

Também na infecção aguda podem aparecer: Edema tecidual e vasculite, gerando injúria endotelial e hemorragias. A leptospira estimula a adesão de neutrófilos e a ativação plaquetária, dessa forma, poderão ocorrer problemas de ordem inflamatória e distúrbios de coagulação.
Cão com icetírica na mucosa oral.
Fonte: policlinicaveterinaria.

Aborto por leptospirose.
Fonte: milkpoint
Icterícia em cão acometida por Leptospira icterohaemorrhagiae.
Fonte: dogsobediencetraining.com



Diagnóstico

Quanto mais cedo for feito, maiores as chances de menores danos à saúde do animal. As possibilidades diagnósticas são diversas, contando com Microaglutinação, Microscopia de campo escuro, Perfil hepático, Perfil renal, Razão proteína-creatinina urinária, Hemograma completo, Necropsia e ainda Histopatologia.
Como prioridade, tem-se que identificar a bactéria no sangue ou na urina do animal, e caso não seja possível com os exames rotineiros, deve-se utilizar então os específicos.
O diagnóstico diferencial também se faz importante para enfermidades como anemia hemolítica autoimune, hepatite viral canina, neoplasias, brucelose, herpesvírus, dentre outras.
O exame bacteriológico é considerado definitivo. Visualizar leptospiras em microscópio de campo escuro pode ser priorizado em casos de leptospirúria. Como prova sorológica, a Soroaglutinação Microscópica é a prova mais usada.

Sorologia: Anticorpos detectáveis a partir de 5 a 7 dias pós aparecimento de sinais clínicos;
                Poderá ocorrer reação cruzada enquanto a infecção for aguda;
                Portadores soronegativos = fase crônica da doença

Exame direto: Microscopia de campo escuro na urina ou no soro

Cultura: Complicada de ser mantida por exigir muito de quem a manipula, das condições do ambiente; é cara e demorada

Diagnóstico molecular: PCR = não identifica o sorovar infectante

Hematologia: Leucocitose por neutrofilia, graus variados de anemia.
                     Leucopenia durante a leptospiremia, evoluindo para leucocitose com desvio à esquerda

Bioquímica Sérica: Aumento na uréia e creatinina séricas
                             Alterações nas enzimas ALT e FA
                             Hipocalemia, hipocalcemia, azotemia, hiperfosfatemia, hipoalbuminemia, hiponatremia
                             Aumento da CK

Urinálise: Fase septicêmia = eritrócitos + leucócitos + cilindros granulares
               Baixa densidade, glicosúria, proteinúria, bilirrubinúria

Necropsia: Petéquias ou Equimoses, icterícia, infiltrado inflamatório linfo plasmocitário nos rins, necrose focal de parênquima hepático, colestase intra hepática com lesão hepática severa

Anatomo-patológico: Hepatomegalia, degeneração e fibrose hepática, congestão pulmonar, petéquias e sufusões pleurais, úlceras na língua, edema, congestão e necrose renal, hemorragias e aderência de cápsula renal, congestão, edema e hemorragias gastrointestinais.
Espirocheta.
Fonte: corbis.



Tratamento

1. Reposição do equilíbrio hidro eletrolítico e energético + uso de antimicrobianos (Penicilina G, Ampicilina, Amoxicilina, Azitromicina, Doxiciclina, Tetraciclina, Eritromicina) + uso de antieméticos + protetores de mucosa gástrica;

2. Reposição do equilíbrio hidro eletrolítico e energético + uso de diuréticos osmóticos ou de alça via endovenosa + hemodiálise (azotemia) + penicilina + diidroestreptomicina (Via IM por 7 a 10 dias) ou doxiciclina, ampicilina, amoxicilina;

3. Reposição do equilíbrio hidro eletrolítico e energético + transfusão sanguínea (CID) + diuréticos (oligúria) + hemodiálise (I.R)


Controle / Profilaxia

- Programa de vacinação eficiente (6-6 ou 12-12 meses), com sorovares predominantes por região;
- Evitar contato com urina / sangue contaminados;
- Controle de roedores;
- Remover cães doentes;
- Evitar acúmulo de lixo / entulho.



OBSERVAÇÕES

Animais de produção: Abortos, falhas reprodutivas.
Equinos: Uveíte como sinal clínico mais evidente (Tratamento com cloranfenicol tópico ou gentamicina e dexametazona) + Aborto 
Em bovinos: Estreptomicina dose única 25 mg/kg = controle da doença.

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REFERÊNCIAS

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