8 de novembro de 2011

Avaliação Pré-Anestésica e uso de Medicação Pré Anestésica em Animais Domésticos


A avaliação pré anestésica tem como principal função a determinação de possíveis riscos existentes para o animal que será submetido à anestesia, permitindo que se conheça então a quantidade necessária de medicação perante cada procedimento realizado.
As diferentes espécies animais reagem de diferentes formas aos pré anestésicos, tanto em relação ao efeito causado, quanto ao tempo de volta do paciente. Ao fazer a anamnese, além do habitual, deve-se procurar saber se o animal já foi submetido a alguma medicação anestésica e se a mesma causou algum tipo de reação adversa ou sensibilização. O exame físico também deverá ser feito, contando com auxílio diagnóstico (US, RX, análises laboratoriais).
O animal que será anestesiado deverá estar em jejum para reduzir a incidência de regurgitação, aspiração, timpanismo, e ainda para que a função respiratória não seja tão prejudicada. 


Medicação Pré Anestésica {MPA}

A anestesia consiste na avaliação pré anestésica, na medicação pré anestésica, na indução do animal ao "sono", na manutenção, na recuperação do paciente e por fim, no  manejo para que ocorra a ausência de dor pós operatória.
A MPA permitirá a preparação do paciente para receber a anestesia, tornando mais fácil a contenção, o alívio do estresse, a analgesia, o relaxamento muscular, a diminuição dos reflexos e a sedação do animal. Sua escolha é baseada no tipo de procedimento (curto, longo, intensidade ?), se houver dor operatória (qual a intensidade da dor? Deve ser aliviada), espécie animal (determinada mpa pode funcionar melhor para certas espécies), temperamento, doenças intercorrentes, estado geral do paciente e grau de sedação.
O uso de MPA promove recuperação menos intempestiva do animal, diminui as secreções, potencializa os efeitos do anestésico escolhido e reduz o efeito tóxico das drogas.
Os grupos farmacológicos a que a MPA pode pertencer são: Anticolinérgicos, Fenotiazínicos, Benzodiazepínicos, Butiferofenomas, Agonistas dos receptores alfa-2-adrenérgicos e Hipnoanalgésicos.

Anticolinérgicos: Previni bradicardia; diminui secreções dos sistemas resp. e digest.; bloqueia atividade vagal, aumenta a FC; promove broncodilatação; Aumenta viscosidade das secreções; diminui motilidade intestinal; aumenta sonolência; aumenta excitação; potencializa a ação de alguns fármacos; diminui secreções oculares; promove alterações no SNC; midríase, pânico, desconforto e intranquilidade.
    Dose Alta: Intranquilidade, delírio, desorientação.
    Contra indicação: Ruminantes (secreções + viscosas = obstrução/diminui motilidade intestinal)
                                Arritmias pré existentes
   Via de Adm: IV, IM, SC
   Efeito: Aproximadamente de 40 a 60 minutos


Tranquilizantes:

Fenotiazínicos: Bloqueiam neurotransmissores do SNC (dopamina/serotonina); causam efeito calmante e neurológico, depressão do sistema nervoso, bloqueio alfa adrenérgico; não são analgésicos; promovem vasodilatação, hipotensão, depressão do miocárdio, aumenta as chances de regurgitação em bovinos; atividade anti histamínica; hipotermia; diminui o limiar convulsivo; potencializa outros fármacos; diminui secreção do hormônio anti diurético.
  Contra indicação: Hipovolemia, choque, epilepsia, cardiopatas
  Acepromazina: Excitação quando em altas doses; levemente antiemético; efeito de 4 a 6 horas; não deve ser usado em reprodutores; tempo de latência 30 a 45 minutos.
  Clorpromazia: Anti secretor; antiemético.
  Levopromazina: Hipotensão; antiespasmódico; aumenta a ação anti histamínica.

Butirofenonas: Efeitos indesejáveis via IV: tremores, contrações, excitação, alucinações, agressividade.
  Azaperone: Funciona bem em suínos, porém poderá promover excitação se não adm via IM.

Benzodiazepínicos: Efeito tranquilizante, ansiolítico, hipnótico, promove sono, anticonvulsivante, relaxa a musculatura, não tem efeito anestésico quando utilizado isoladamente, ótimo em pacientes de alto risco, excitabilidade pode ser gerada, contrabalançam os efeitos da cetamina (alucinações, espasticidade), aumenta o apetite em gatos, pode promover pânico em equinos.
  Diazepan: Baixa toxicidade, ótimo anticonvulsivante, baixa analgesia, meia vida longa.
  Midazolan: Hidrossolúvel, recuperação mais curta, não produz desconforto, aumenta a potência hipnótica, meia vida curta.
 Flumazenil: Antagonista dos benzodiazepínicos, alta afinidade pelos receptores benzodiazepínicos, efeito rápido, necessita reaplicação.


Sedativos:

Alfa 2 agonistas: Sedação depende da dose. Pode promover ataxia, hipnose, relaxamento muscular, analgesia, diminuição da FC, bloqueio átrio ventricular, oscilações na pressão arterial, diminui a motilidade intestinal.
 Xilazina: Ótima para bovinos, diminui débito cardíaco, diminui FR, diminui reflexo de tosse, promove hiperglicemia transitória, diurese, atonia intestinal, efeito ocitocinomimético, aumenta salivação, diminui pressão intra ocular.
     Adm: IV, IM ou SC
     OBS: Analgesia intensa. Não usar em animais agitados.

Hipnoanalgésicos: Produzem sedação e analgesia, diminui FR, não bloqueia sensibilidade nem função motora, causam de euforia a depressão, constipação, antidiurese.
 Contra indicação: Alterações respiratórias, aumento de pressão intracraniana, hipersensibilidade.

Opióides: Morfina: Elimina dor severa, via parenteral. Colabora na liberação de histamina IV, vômitos, excitação, defecação, diminui FR, pode promover prurido, retenção urinária. Efeito de 2 a 6 horas.
                Meperidina: Menos eficiente que morfina, diminui a pressão arterial e venosa; miose.
                Fentanil: Mais potente que morfina, possui potente ação hipnótica e analgésica.

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REFERÊNCIAS


BOLFER, L. H. G, et al. Medicação pré anestésica – Revisão de Literatura. 6 pg. Disponível em <http://www.utp.br/medicinaveterinaria/jornadaacademica/MEDIC_PRE-ANEST.pdf>.

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