13 de novembro de 2011

Eritrócitos: Anemias, Policitemias e Hemoparasitoses

Causas de perda eritrocitária: Intravasculares, Extravasculares ou ainda Idiopáticas.

Causas de aumento do hematócrito: Desidratação, medo, excitação, altitude ou atividade intensa.
 Causas de diminuição do hematócrito: Anemia, estado avançado de gestação, hemólise, anestesia (esplenomegalia).

Diagnóstico e Diferenciação da Anemia

Anemia: Hemácias ou hemoglobina abaixo dos valores de referências normais para a espécie.

Tipos de anemia são dados por sinais clínicos e velocidade de início do quadro e também pela presença ou ausência de células indicadoras de regeneração (reticulócitos, por exemplo).

Diagnóstico: Hematócrito principalmente.
  -Falsamente diminuído: Hemólise (CHGM estará alta); colher material de veia cateterizada com adm de fluidos; excesso de EDTA; Hiperhidratação do animal.
  -Falsamente normalizado: Desidratação junto com anemia; desidratação da amostra; imediatamente após hemorragia (contração esplênica); medo; excitação (contração esplênica).

Confirmação diagnóstico: membranas e mucosas pálidas (em gatos pode ser comum); fraqueza e baixa tolerância ao exercício; taquicardia e taquipnéia mesmo em repouso quando a anemia for mais grave.

Tipos de Anemia: Relativa (condicional: terço final de gestação, neonatos, após fluidoterapia) ou Absoluta (patológica).

A anemia pode ocorrer devido a perda de sangue (anemia hemorrágica), aumento da destruição das hemácias (anemia hemolítica) ou ainda por produção diminuída de hemácias (distúrbios mieloproliferativos). Todas estas causas podem crônicas ou agudas, com exceção da diminuição de produção de hemácias que só poderá ser classificada como crônica.
Um detalhe importante a ser observado é que pela vida dos eritrócitos ser um tanto quanto longa, uma parada total na produção dos mesmos, só será percebida dias depois.

Anemia Hemorrágica: - Mais comum em pequenos animais
                                     - Perda de sangue aguda ou crônica, podendo ser externa ou interna.
                                     - Causas: Traumas, procedimentos cirúrgicos, defeitos hemostáticos, intoxicação por anticoagulantes, doença hepática (fatores de coagulação), lesões gastrointestinais, neoplasias com sangramento cavitário.



Anemia Hemolítica: - Pouco comum em pequenos animais
                                  - Hemólise extravascular: no baço ou fígado por fagocitose de IgG acoplada
                                  - Hemólise intravascular: auto-imune, toxicidade
                                  - Lise física: calor, queimaduras, radiação, injeção I.V, adm de solução hipotônica.
                                  - Causas: Imunomediada (anticorpos lisam as hemácias), distúrbios linfo ou mieloproliferativos; intoxicação com oxidantes (cebola crua, paracetamol, cetamina em gatos, sulfonamidas; intoxicação por plantas tóxicas; acidentes ofídicos; lise física; agentes infecciosos (Haemobartonella felis e Leptospira); tumores malignos; desordens imuno mediadas (reação transfusional); doenças metabólicas (trombocitopenia, CID).

Anemia Hipoproliferativa:  - Ausência de reticulocitose (quando aparecem, estão em pequeninas quantidades)
                                            - Sempre crônica
                                            - Causas: Deficiência nutricional; anemia por doença inflamatória (retenção do ferro nos macrófagos da medula óssea, não permitindo que ele seja usado para formação de hemácias); anemia por falta de eritropoietina (IRC ou doença hepática crônica – eritropoietinogênio); desordens mieloproliferativas.

Classificação Morfológica: VCM ou VGM e CHCM ou CHGM => não determinam a causa da anemia, mas auxiliam na interpretação do mecanismo patofisiológico.
    - Corante supravital: Contagem de reticulócitos via esfregaço sanguíneo.
    - Aumento no número de reticulócitos: maior gravidade da anemia regenerativa.
    - Ausência de reticulócitos: Anemia não regenerativa.

Anemia Regenerativa grave: - Hemácias imaturas
                                               - Corpúsculos de Howell Jolly (dificilmente observados)
                                               - Quantos mais jovens as hemácias, mais grave a anemia
                                               - ___ hemácias / 100 leucócitos.

Anemia Regenerativa se torna não regenerativa: - Se a perda de hemácias for contínua, a perda de ferro também será. Se o ferro não for reposto na dieta, hemácias não poderão ser produzidas corretamente.
                                                                              - Animais em aleitamento, animais doadores repetidamente sangrados
                                                                              - VCM e CHCM baixos
                                                                              - Concentração sérica de ferro baixa
                                                                              - Microcitose e hipocromia
                                                                              - Biópsia medula óssea: sem resposta eritróide.

Anemia Não Regenerativa: - Correção da causa quando possível.



Policitemias

Entende-se por policitemia o aumento do número de hemácias.

Policitemia Relativa: - Decorrente da desidratação (reduz o volume plasmático e aumenta a concentração das proteínas plasmáticas e hemácias) e contração esplênica (estresse promove aumento de hemácias na corrente sanguínea, porém a quantidade de proteínas totais continua a mesma).
Policitemia Absoluta : - Aumento no hematócrito e volume total do sangue. Quadro raro.

Policitemia absoluta primária: - Defeito na medula óssea
                                                 - Produção excessiva de hemácias maduras
                                                 - Normalmente com aumento de produção de leucócitos e plaquetas
                                                 - Produção normalizada de eritropoiteina e oxigenação normalizada

Policitemia absoluta secundária: - Aumento na liberação de eritropoietina
                                                   - Hemácias imaturas também presentes
                                                   - Sem aumento no número de leucócitos e plaquetas
                                                   - Falta de oxigenação tecidual
                                                   - Neoplasia renal = eritropoietina


Hemoparasitoses

Por hemoparasitose entende-se doença causada por parasitas intracelulares sanguíneos. Estes parasitas são normalmente transmitidos por ectoparasitas (pulgas e carrapatos), levando a um quadro de anemia, trombocitopenia ou leucopenia.

As hemoparasitoses de maior incidência nos animais domésticos são: Babesiose, Ehrlichiose, Haemobartonelose ou Mycoplasmose, Anaplasmose, Theileriose e Trypanossomose. Com menor frequencia encontra-se Cytauxzoonose.

Ehrlichiose => Clique AQUI

Anaplasmose => Clique AQUI

Trypanossomose => Clique AQUI

Mycoplasmose => Clique AQUI


Theileriose


- Atinge linfócitos e posteriormente chegam aos eritrócitos como piroplasmas.
- Transmissão através de carrapatos.
- Período de incubação: 7 dias sem detecção = hiperplasia com aumento no número de linfoblastos.
                                     21 dias depois = depleção linfóide, linfocitólise (ativação de células macrófagos).
- Edema no linfonodo da região da picada, posteriormente edema em todos os outros linfonodos do corpo do animal. O animal ficará debilitado, dispnéico, apresentará diarréia sanguinolenta, hemorragias petequiais sob a língua e na vulva.
- Diagnóstico por esfregaço com material de biópsia, ou esfregaços de impressão no caso de necrópsia. Deve-se fazer a detecção de piroplasmas nos eritrócitos.
- Tratamento: Compostos de Naftaquinona parvaquan ou buparvaquona e também halofuginona.
- Profilaxia deverá ser feita com o uso de acaricida.
Theileria.
Fonte: itg.be.

Trypanossomose


- Vetor: Artrópode.
- Hospedeiros: Animais domésticos.
- H.I.: Glossina
- Febre, anemia grave, hemorragias nas superfícies mucosas e serosas (dilatação linfóide e esplenomegalia, anemia hemolítica, degeneração celular e infiltrados inflamatórios), letargia, perda de peso, perda progressiva de condições físicas.
- Doença crônica, parasitemia persistente.
- Diagnóstico por esfregaços sanguíneos finos (diferenciação) e grossos (identificação).
- Tratamento: Quinapiramina.
- Profilaxia: Controle de moscas e uso de antiparasitários.


Babesiose 

- Babesia spp.
- Parasito intra eritrocitário.
- Anemia e hemoglobinúria.
- H.I.: Carrapatos ( Dermocentor, Rhipicephalus, Ixodes)
- Hospedeiros: Todos os animais domésticos
- Diagnóstico: Esfregaço sanguíneo durante fase febril (Giemsa)
- Eritrócitos contaminados são rompidos e os agentes invadem eritrócitos sadios
- Sinais clínicos: Febre e hemoglobinúria, membranas mucosas ictéricas, FR e FC aumentadas, em bovinos poderão ocorrer abortos. Perda de peso, diminuição de produção leiteira, diarréia seguida de constipação.
- Profilaxia: Carrapaticidas e vacinação.
- Tratamento: - Bovinos: Imidocarb e derivados de Diamidina,
                      - Ovinos e Caprinos: Aceturato de Diminazeno,
                      - Equinos: Imidocarb e Pentamidina (B. equi) ou Imidocarb e Aceturato de Diminazeno ( B. caballi)
                      - Cães: Aceturato de Diminazeno, pentamidina ou fenamidina.
Babesia.
Fonte: ecdc.europa.eu

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REFERÊNCIAS



BRANDAO, Leonardo Pinto et al. Anemia hemolítica imunomediada não regenerativa em um cão. Cienc. Rural [online]. 2004, vol.34, n.2, pp. 557-561. ISSN 0103-8478.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782004000200034. 

BRANDAO, L. P. Hemoparasitoses em cães e gatos: aspectos clínicos e laboratoriais. 2010. Disponível em <http://www.tecsa.com.br/media/file/pdfs/palestras%20Jornada%20PET/Diag_%20e%20tratamento%20das%20Hemoparasitoses%20Dr%20Leonardo%20Brandao%202010.pdf>


CERIBELI, J.B. Hemoparasitoses em cães e gatos. 2010. 48 f. Trabalho de conclusão de curso (graduação em Medicina Veterinária) – FESURV – Universidade de Rio Verde, Rio Verde, 2010.

FIGHERA, R.A. Anemia hemolítica em cães e gatos. Acta Scientiae Veterinariae. 35: s264-s266. ISSN 1679-9216 (Online). Disponível em <http://www.ufrgs.br/actavet/35-suple-2/17-%20ANCLIVEPA.pdf>

PEREIRA, P.M. et al. Contagem de reticulócitos de cães saudáveis ou anêmicos pela citometria de fluxo. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. [online]. 2008, vol.60, n.1, pp. 66-70. ISSN 0102-0935.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352008000100010. 

SOARES, M. A. Pesquisa clínica e etiológica de anemia em cães. Dissertação (mestrado)  – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Curso de Pós-Graduação em Medicina Veterinária.2010. 78 f. Disponível em <http://www.ufrrj.br/posgrad/cpmv/teses/antunes.pdf>

                                           

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