6 de dezembro de 2011

Líquidos Cavitários


Ascite em cão.
Fonte: www.petshopauqmia.com.br.
Fisiologia dos Líquidos Cavitários


-Volume de água = 65% do peso corpóreo total;
- Animais magros possuem maior porcentagem de água que os obesos;
- Divisão de água em compartimento intra e extracelular;
- Líquido tissular = plasma desprovido da maioria de suas ptns;
      => linfa (ao acessar capilares linfáticos)

- Substâncias dissolvidas no sangue se movem de acordo com seu gradiente de concentração para fora ou dentro dos compartimentos através de fenestras endoteliais. Ptns não passam por esta barreira;
- Pressão hidrostática: manda substâncias para fora dos vasos
- Pressão oncótica: recupera as substâncias que saíram
- Movimento e distribuição dos fluidos depende de pressão hidrostática do plasma e do tecido; e da pressão oncótica do plasma e do tecido.

Alterações nas trocas de fluidos

- Podem ser provocadas por exemplo, por ingestão excessiva de água, desequilíbrio eletrolítico, deficiência de ptns, processos inflamatórios e doenças sistêmicas;
- Edema = retenção e acúmulo de líquido tissular devido a positividade da pressão hidrostática.
      => Sistema de fluxo linfático consegue evitar formação edematosa se a pressão hidrostática aumentar em até 70% e a coloidosmótica diminuir na mesma proporção. Caso ultrapassem estes valores, o edema será formado.

          => Por Obstrução Linfática: - Impede o retorno do líquido tissular para o sistema circulatório = aumenta quantidade de líquidos no tecido conjuntivo = aumenta pressão hidrostática do líquido tissular.
                                                      - Acumulam-se ptns no tecido conjuntivo = aumenta pressão coloidosmótica do tecido conjuntivo = atrai e acumula mais água.
                                                      - Por extirpação de cadeia linfática, tumores...

          => Por Aumento da permeabilidade capilar: - Vaza plasma para o compartimento do tecido conjuntivo;
                                                                             - Excesso de ptns no tecido conjuntivo = aumenta pressão coloidosmótica intersticial;
                                                                              - Sangue não consegue atrair água de volta para os capilares;
                                                                              - Por processos inflamatórios, reações alérgicas, substâncias tóxicas, venenos e queimaduras.

         => Por Diminuição da pressão oncótica capilar: - Associada a baixa concentração de ptns plasmáticas;
                                                                                  - Sangue não consegue remover fluidos do tecido conjuntivo;
                                                                                  - Por distúrbios hepáticos, distúrbios renais, destruição de ptns, perda de ptns pelo tubo digestivo e parasitismo.

          => Por Aumento da pressão hidrostática capilar: - Obstrução venosa = aumeta p.h.c.;
                                                                                    - Líquidos ficam retidos no tecido conjuntivo;
                                                                                    - Por insuficiência cardíaca congestiva, estase portal, inflamação, obstrução dos vasos, compressão com bloqueio dos vasos por tumores ou nódulos, aumento da resistência pulmonar e colocação de bandagens muito apertadas.


Classificação dos Derrames Cavitários

- Transudato Puro = Líquido límpido / incolor em cães e gatos, e amarelado em herbívoros;
                                Pouca PPT
                                Poucas células nucleadas
                                pH Alcalino
                                Densidade menor que 1.1017
                                Presença de células mesoteliais, poucos linfócitos, neutrófilos íntegros, raros macrófagos e hemácias
                               Por: Diminuição da concentração plasmática de ptns (hepatopatia crônica, nefropatia, enteropatia, deficiência nutricional)

- Transudato Modificado = Leve/moderadamente turvo
                                          PPT moderada
                                          Baixa a moderada celularidade
                                          Presença de células mesoteliais, poucos linfócitos, neutrófilos íntegros, macrófagos e hemácias
                                          Por: Aumento da pressão hidrostática capilar ou por bloqueio do sistema linfático

- Exsudato = Origem inflamatória
                     Substâncias vasoativas (aumento de ptns) e substâncias quimiotactantes (aumento celular)
                     Turvo, cor branca/rosa/âmbar/vermelha...
                     PPT em alta concentração
                     Densidade maior que 1.020
                     pH ácido
                     Células nucleadas
                     Coágulos
                     Presença de neutrófilos, macrófagos e células mesoteliais
                     Pode ou não haver presença de bactérias
                     Pode ser séptico = bactérias ou fungos
                                   asséptico = uroperitônio, peritonite biliar, pancreatite necrótica, neoplasias.



LÍQUOR


- Meio de transporte de nutrientes, metabólitos, neurohormônios e transmissores;
- Mantêm cérebro e medula espinhal suspensos - evita injúrias;
- Exame deverá ser feito quando há suspeita de enfermidade no SNC;
- Retirada comedida = terapia para alívio de pressão intracraniana aumentada;
- Contra indicações = casos em que pode ocorrer imediata descompressão, animais que não possam ser anestesiados, animais severamente desidratados, infecções na região de punção, distúrbios de coagulação.
- Colher na região suboccipital ou lombossacra entre L5 e L6 ou L6 e L7;
- Células e estruturas que se degeneram rapidamente = realizar com rapidez a análise;
-  Pressão aumentada = espaço ocupado por massa como: neoplasia, edema cerebral, hematoma subdural, aneurisma, abcesso;
- Colher e armazenar em dois tubos, um com EDTA e um sem;
- Coloração normal clara e transparente = turvo = aumento celular, infecções bacterianas (neutrófilos);
                                                             = amarelo = hemorragia antiga;
                                                             = vermelho = hemorragia por trauma ou contaminação na colheita;

- PTNS aumentadas = por infecção viral, por exemplo;
- Normal de 0 a 8 células nucleadas = aumento (pleocitose) => meningoencefalite bacteriana;
- Células:  - Monócitos e linfócitos;
                - Macrófagos em afecções;
                - Neutrófilos e eosinófilos = menos de 10%
                - Linfócitos reativos = estímulo antigênico, doença infecciosa, processo neoplásico, doença imunomediada;
                - Neutrofilia = doença inflamatória/bacteriana, trauma, meningite asséptica ou séptica;

- Presença ou ausência de bactérias.


LÍQUIDO SINOVIAL


- Análise auxilia na diferenciação de inflamação aguda e crônica, exclusão de processos infecciosos ou imunomediados.
- Normal = claro, viscoso, cor amarelo palha, pH entre 7 e 7,8; não contêm fibrinogênio;
- Células nucleadas = 250 a 3.000 = 94 a 100% de mononucleares;
                                                         0 a 6% de neutrófilos.
- PTNS = 2 a 2,5 g/dL
- Artrite séptica = pH abaixo do valor normal, alta quantidade de leucócitos e coágulo classificado como péssimo;

- Teste de coágulo de mucina:
              => Bom: Coágulo formado é compacto e grande em solução límpida;
              => Regular: Coágulo formado é amolecido e em solução meio turva;
              => Ruim: Coágulo formado é friável e em solução turva;
             => Péssimo: Coágulo não se forma, e sim, flocos que ficam em solução turva.

- Normalidade = deverá apresentar bom coágulo e ausência de fibrina.


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REFERÊNCIAS

_____________. Líquidos e Derrames Cavitários. Disponível em <http://www.labvet.com.br/html/conteudo_servicos_liquidos_e_derrames_cavitarios.htm>.

_____________. Análise laboratorial dos líquidos biológicos. Disponível em <http://liqbiol.blogspot.com/2006/06/lquidos-cavitrios-pleural-pericrdico-e.html>.

DE BIASI, F. et al . Alterações no líquido sinovial do joelho de cães com osteoartrite induzida pelo modelo Pond e Nuki. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec.,  Belo Horizonte,  v. 53,  n. 5, Oct.  2001 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-09352001000500009&lng=en&nrm=iso>. access on  06  Dec.  2011.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352001000500009.

GAMA, F. G. V. et al. Caracteres físico-químicos e citológicos do liquor de cães em diferentes
 fases da cinomose. Ciência Rural, Santa Maria, v.35, n.3, p.596-601, mai-jun, 2005. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/cr/v35n3/a16v35n3.pdf>.

LOPES, S. T. A.; BIONDO, A. E.; SANTOS, A. P. Manual de Patologia Clínica Veterinária. - 3. ed. - Santa Maria: UFSM/Departamento de Clínica de Pequenos Animais, 2007. 107 p. Disponível em <http://www.youblisher.com/files/publications/8/45937/pdf.pdf>.

LUCAS, R. A. P. et al. Análise de líquido cefalorraquidiano em pequenos animais. Revista científica eletrônica de medicina veterinária – ISSN: 1679-7353. Ano VI – Número 11 – Julho de 2008. Disponível em <http://www.revista.inf.br/veterinaria11/revisao/edic-vi-n11-RL05.pdf>.

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