30 de janeiro de 2012

Amostras para análise toxicológica – Envio para Laboratório Veterinário




Diversos agentes como herbicidas, fungicidas, inseticidas, raticidas, metais pesados, produtos domésticos, produtos automotivos (etilenoglicol), drogas (medicações) e ainda algumas plantas e animais venenosos podem estar envolvidos em intoxicações.

Para que se tenha um diagnóstico fiel, deve-se levar em consideração as informações obtidas durante exame clínico completo e anamnese ou pesquisa do histórico do paciente.

Antes de enviar as amostras ao seu laboratório de preferência, o ideal é que você entre em contato com o responsável pela realização das análises e se informe sobre a possibilidade de realização das mesmas, obtendo dados sobre qual é o melhor material a ser colhido e como ele deverá ser armazenado até que chegue ao destino correto.

Deve-se sempre fazer o possível para que as amostras não sofram contaminação por substâncias ou ambientes. Não se deve lavá-las, de forma que este procedimento poderá ocasionar modificação da amostra por perda de resíduos tóxicos.

É importante que as amostras sejam bem embaladas de forma que não existam vazamentos durante o transporte. Utilizar sempre embalagens limpas de plástico ou vidro e manter diferentes amostras em diferentes recipientes devidamente identificados (dados do proprietário, do médico veterinário que solicitou a análise e a origem completa da amostra).

Em relação à quantidade de cada amostra:
Sangue total – 10ml no mínimo, normalmente com heparina;
Soro – 10 ml no mínimo;
Vômito, fluido de lavagem gástrica, fezes e urina – 50 ml;
Alimentos – porções com no mínimo 200g;
Água e iscas suspeitas também podem ser enviadas em caso de suspeita.

Em relação ao armazenamento de cada amostra:
Soro ou sangue total – sob refrigeração;
Conteúdo de trato gastrointestinal e tecidos – sob congelamento.
Se a amostra em questão for enviada congelada, deverá chegar ao laboratório de destino também congelada.

Em relação aos conservantes:
Normalmente não são utilizados , porém, amostras para histopatológico, deverão ser fixadas em formalina à 10% e não devem ser congeladas.
Quando se usar um conservante, é interessante que uma pequena amostra dele puro, seja enviada também ao laboratório.

Registros detalhados devem ser mantidos desde o início do caso para que se houver interesse em uma futura ação legal, os resultados de confiança possam ser usados como prova.


Envenenamento por Chumbo
Podendo ser encontrado no ar das cidades, em tintas a base de chumbo antigas, chumbinho, linóleo, baterias automotivas, soldas, materiais para telhado e produtos de petróleo; o envenenamento por chumbo pode ocorrer em qualquer espécie animal. Os sinais clínicos comportam alterações no trato gastrointestinal e sistema nervoso principalmente.
Em exame hematológico, é comum que se encontre ponteado basofílico em alguns eritrócitos e aumento de eritrócitos nucleados circulantes (meta-rubrícitos).
Não existem testes domésticos confiáveis e simples para detecção de chumbo em sangue, fezes, urina, leite ou tecidos.
Amostras que poderão ser enviadas:
- Sangue total + EDTA, Heparina ou Citrato;
- Amostras teciduais (especialmente fígado e rins);
- Fezes.
Exame histopatológico de fígado, rins ou ossos corado pela técnica de Ziehl – Neelsen, pode revelar corpúsculos de inclusão intranucleares ácido-resistentes e eosinófilos característicos em hepatócitos, células tubulares renais e osteoclastos.


Envenenamento por Nitrato ou Nitrito
Pode ocorrer em ruminantes, suínos e equinos que ingerem alimentos com altas concentrações desses compostos (em cereais, capins e raízes fortemente fertilizados com compostos nitrogenados; água proveniente de poços profundos com infiltrações de solo fortemente fertilizados também podem apresentar alta quantidade de nitrato).
Nitrato = convertido em nitrito;
Nitrito = absorvido a partir do intestino; diminui a capacidade de transporte de oxigênio do sangue por meio da degradação de hemoglobina em metemoglobina nos eritrócitos.
Testes que utilizam difenilamina podem detectar a presença de nitrito/nitrato em excesso. Após aplicada a solução, uma cor azul intensa ocorrerá caso exista nitrato no material testado. Resultados falso positivos podem ocorrer em plantas com alto teor de ferro quando a substância for mal aplicada durante o teste.
Quando a análise for feita a partir de amostra sanguínea ou outros fluidos corporais e urina, haverá produção de coloração azul também. Hemólise em amostra sanguínea poderá causar alteração de coloração, gerando falso positivo ou negativo.


Raticidas Anticoagulantes
Compondo esta classe, tem-se por exemplo warfarina, difacinona e pindona; atuam inibindo o metabolismo da vitamina k no corpo. As alterações são de inicialmente aumento do tempo de protrombina (TP), logo em seguida, aumenta-se o tempo de tromboplastina ativada (TTP) e o tempo de coagulação ativado (TCA) pois os fatores da cascata de coagulação vão se esgotando.


Substâncias Químicas que Desnaturam Hemoglobina
Certas substâncias podem promover danos à hemoglobina nos eritrócitos, com formação de corpúsculo de Heinz. Fazendo parte destas substâncias estão:
Gatos: Paracetamol e Azul de metileno;
Cães: Cebola;
Equinos: Folhas de bordo vermelho;
Ruminantes: Cebola e brassicáceas.
Animais com deficiência de selênio ficam mais propensos a tal lesão oxidativa, por causa de uma deficiência de glutiona peroxidase (enzima que protege as hemácias contra hemólise).


Etilenoglicol
É o principal componente da maior parte das soluções anticongelantes. Seus metabólitos podem ser encontrados em amostras de sangue total ou soro (quando houver intoxicação). Quando houver presença de sedimentos urinários (massas de cristais de monoidrato de oxalato de cálcio ou cristais de oxalato de cálcio), há sugestão de envenenamento por etilenoglicol.
Exame histopatológico dos rins de animais que vão a óbito revela nefrose tubular renal e numerosos cristais de oxalato.



REFERÊNCIAS

HENDRIX, C. M. Procedimentos Laboratoriais para Técnicos Veterinários. 4ª ed. São Paulo: Roca, 2006. 
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